A resposta pode revelar a sua idade. Uma nova pesquisa mostra que metade
dos adolescentes dos EUA preferem o smartphone, contra 15% dos seus
pais. Entre os teens que já têm um aparelho, quatro em cada cinco acham
que o pior castigo é ficar longe dele.
A preocupação chegou à indústria automotiva. Em entrevista ao "The New
York Times", uma executiva da Ford reclamou que "o carro costumava ser
um símbolo de liberdade, de chegada à idade adulta. Isso é representado
agora pelos smartphones".
Essa smartphonemania está chegando ao Brasil. Quase 30% dos internautas
adolescentes do país já acessam a internet em um deles. Uma pesquisa
recente do Instituto Ipsos Mediact mostrou que o Brasil tem 20 milhões
de smart-phones e que metade desses aparelhos foram comprados há menos
de seis meses.
Andar em um shopping de um bairro nobre de São Paulo é estar cercado de
adolescentes acessando o Facebook e trocando mensagens via celular.
Os namorados Gabriel Pardon e Alessandra Werneck, de 16 anos, são um
exemplo. Ao sentar para um lanche, deixam seus smartphones idênticos
romanticamente lado a lado sobre a mesa.
"Sem ele, dá um desespero de não conseguir falar com ninguém", diz
Gabriel. "Minha mãe odeia. Na hora do almoço, ela fica dizendo 'larga
isso, pelo amor de Deus!'."
"A gente troca mensagens o dia inteiro", diz Alessandra. Gabriel
completa: "Imagina se fosse como na época dos nossos pais e eu tivesse
de ir até a casa dela toda vez que quisesse falar algo?"
Psicólogos alertam, porém: smartphones podem levar à dependência.
"Acontece quando a pessoa deixa de sair com os amigos, de estudar, de
conversar, para ficar mais tempo conectada", diz Dora Sampaio Góes,
psicóloga do programa de dependência de internet do HC (Hospital das
Clínicas), que já atendeu 200 pacientes ao longo de quatro anos. "Tenho
pacientes que checam o celular até no meio da consulta."
Especialmente em risco estão pessoas com dificuldades sociais na vida real, que encontram na internet um refúgio.
Cristiano Nabuco de Abreu, também psicólogo do HC, está pessimista. "A
ficha ainda não caiu sobre dependência de smartphones. E adolescentes
são mais vulneráveis, pois ainda não amadureceram bem o controle sobre
os impulsos."
"Por outro lado, é preciso entender que hoje os jovens enviam mensagens,
se encontram no Facebook, compartilham seus momentos por varias midias
digitais, namoram online. Não é um jeito de lidar com o mundo pior ou
melhor do que o da geração anterior, é apenas diferente", diz a
psicóloga Luciana Nunes, diretora do Instituto Psicoinfo.
Fonte: Folha Teen
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